Dissertação de Mestrado
Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (UFBA), ___(edição)___, 2012
Aporia: um caminho para a composição musical intertextual
Daniel Alexander de Souza Escudeiro
Palavras-chave
Resumo
Tendo em mente que os caminhos para a atividade composicional podem permear uma abordagem específica, procura-se neste trabalho direcioná-la pelo viés intertextual para a composição de uma obra para violão e orquestra. A discussão é relevante, tendo em vista o crescente interesse pelo assunto e sua aplicabilidade no meio musical. O recorte bibliográfico na literatura — Bakhtin (2010), Kristeva (2005), Genette (2006), Bloom (2002) e Sant’Anna (2003) — relaciona-se com autores da área de música pelo olhar da teoria intertextual. Foram escolhidas as músicas do compositor brasileiro Guinga (1950), para voz e violão, como “texto de partida”, com o fim de utilizar a produção musical dele como suporte analítico e composicional. Encontrou-se no mundo cancioneiro de Guinga um diálogo com diversas tendências e um acurado senso de utilização idiomática no acompanhamento de violão das suas canções. Analisamos processos em que o idiomatismo pode ser empregado como uma ferramenta composicional viável, especialmente no universo violonístico. Isso possibilitou uma concepção composicional advinda de parâmetros intertextuais e idiomáticos (violonísticos), em que foram tratadas algumas atitudes compositivas. Esse direcionamento apontou para uma intertextualidade idiomática. Concomitantemente, foram desenvolvidos musicalmente alguns dos recursos específicos relacionados à literatura, como epígrafe, citação, paródia, entre outros. Verificou-se também uma aproximação da teoria intertextual com o pós-modernismo, averiguada em discussões sobre o assunto. O resultado do trabalho pode ser conferido na peça Aporia, na qual foram abordadas algumas das questões estéticas, idiomáticas e intertextuais propostas.
Bearing in mind that the paths to compositional activity can permeate a specific approach, this paper seeks to direct it to the intertextual bias to compose work for guitar and orchestra. The discussion is relevant considering the growing interest in the subject and its applicability in Music. The bibliographic clipping literature - Bakhtin (2010), Kristeva (2005), Genetie (2006), Bloom (2002) and Sant'Anna (2003) - relates to authors in the field of music through the eyes of intertextual theory. The songs were chosen by the Brazilian composer Guinga (1950), for voice and guitar, as "source text" in order to use it as a musical production of compositional and analytical support. It was found in Guinga's repertoire world a dialogue with various trends and an accurate sense of idiomatic usage of their guitar songs accompaniment. We analyzed proceedings where the idiomatic can be used as a feasible compositional tool, especially in the universe of guitar. This provided compositional design parameters arising intertextual and idiomatic (guitar), where some compositional attitudes were treated. This routing pointed to an idiomatic intertextuality. Concurrently, we musically developed some of the specific features related to the literature, such as heading, quotation, parody, among others. There was also an approximation of intertextual theory to postmodernism, ascertained in discussions on the subject. The result of the work can be attributed in the work Aporia, in which they dealt with some of the aesthetic issues, language and intertextual proposals.
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