Artigo em periódico

Fonte: Revista Brasileira de Música, ___(edição)___, 2014

Ambiguidade e presentificação no arranjo de Rogério Duprat para a gravação tropicalista de ‘Não identificado’ por Gal Costa (1969)

Jonas Soares Lana

Resumo

Neste trabalho, proponho uma análise da gravação tropicalista da canção “Não identificado” por Gal Costa (1969), enfocando o diálogo entre as palavras cantadas e o arranjo musical de Rogério Duprat. Paródia reverente das baladas de Roberto Carlos, a canção se apresenta como uma mensagem de amor platônico que viaja a bordo de um disco lançado simultaneamente como LP e óvni. Voando pelo céu idílico da seresta brasileira, esse objeto não identificado provoca a interpenetração dos âmbitos físico-objetivo e metafísico-subjetivo. Atento à ambiguidade de uma canção “não identificada”, Duprat dilui a fronteira entre arranjo e soundscape, recorrendo a sonoridades típicas de trilhas sonoras de filmes de ficção científica norte-americanos dos anos 1950. Essa viagem sonora, no entanto, vai além da paisagem habitada por alienígenas, simulando ao mesmo tempo um vôo psicodélico que sugere a fusão entre o self e o mundo, tal como experimentada no final dos anos 1960 pelos usuários de LSD. Com esta análise, procuro discutir a importância do arranjador e do arranjo na definição dos sentidos de uma canção fonografada, considerando, portanto, o poder simbólico da música e do som em um dado contexto histórico-cultural.

On this study, I propose an analysis of the “tropicalista” song recording “Não identificado” [“Unidentified”] by Gal Costa (1969), focusing on the dialogue between the sung words and the musical arrangement by Rogério Duprat. A reverent parody of ballads by Brazilian rock singer-composer Roberto Carlos, the song presents itself as a platonic love message transported by a disc, which is launched simultaneously as a LP and a flying saucer. Traveling through an idyllic Brazilian sky, as it is described on traditional romantic Brazilian popular song, this unidentified flying object blurs the limit between physic-objective and metaphysic-subjective realms. Aware about the ambiguity of an “unidentified” song, Duprat dilutes the boundary that separates music arrangement and soundscape, introducing sounds heard on American sci-fi movies from the 1950s. This sonic trip, however, goes beyond soundscapes inhabited by aliens, simulating at the same time a psychedelic flight that suggests a fusion between the self and the world, as it is experienced in the late 1960s by LSD users. Through this analysis, I aim to discuss the importance of the arranger and of the musical arrangement in the definition of recorded song meanings, recognizing, the symbolic power of music and sound in a specific historical and cultural context.

Seguir para site externo

Seu navegador será reencaminhado para a fonte do documento, porque o Amplificar não mantem cópias das referências. Caso o texto não seja carregado, por favor me notifique que ele está fora do ar e consulte sua disponibilidade no site oficial da fonte.