Dissertação de Mestrado

Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (UFG), ___(edição)___, 2017

A retórica do silêncio e o silêncio da retórica: um enfoque sobre os atributos retóricos do silêncio na música de John Cage

Rodrigo Oliveira dos Santos

Resumo

Esse trabalho tem o objetivo de realizar um estudo sobre os modos de Cage compreender o silêncio. O silêncio já era uma prática usual na música antiga. Utilizado através da técnica da word-painting na música renascentista, com fins decorativos em relação ao texto, na música barroca o silêncio passou a ser utilizado de modo retórico com o intuito de mover os afetos e persuadir o ouvinte à emoção, tal como atestam as figuras de silêncio bastantes usuais no período barroco. Os trabalhos de Bartel (1997), Cameron (2005), Gatti (1997), Lucas (2005, 2007, 2016) e Villavicencio (2011) foram importantes pontos de interlocução nessa perspectiva. O conceito de imaginário foi um importante elemento metodológico para oestabelecimento dessa comparação entre o silêncio na música barroca e na música contemporânea de John Cage. A partir da compreensão sobre o imaginário de Castoriadis (1992) e de Durand (1998) construímos uma compreensão das singularidades assim como as conexões interpretativas entre cada um desses silêncios: os retóricos e intencionais da música barroca e os de acasos e indeterminação de Cage. Para compreender os silêncios de John Cage foi realizada uma contextualização sobre o zen budismo nos Estados Unidos, no final da primeira metade do século XX, a partir de Eco (1978), além de uma discussão sobre as ideias de nada e vazio no Zen, baseadas em Heller (2011). Tal discussão é feita de modo a relacionar essas ideias com conceitos e questionamentos caros para a compreensão do silêncio em John Cage, como as ideias sobre o próprio nada, interpenetração e a possibilidade da música, enquanto uma abertura para os acontecimentos de sons estabelecer comunicação, e nesse sentido ser retórica. As ideias sobre o simbólico e o vazio de Lacan (1995, 2005) serviram como elemento de compreensão dos limites e possibilidades sobre o projeto silencioso de Cage.

This work aims to make a study about the ways of Cage to understand silence. Silence was already an usual practice in ancient music. Used in the word-painting technique in Renaissance music, with decorative purposes in relation to the text, in baroque music silence was used in a rhetorical way with the intention of moving the affections and persuading the listener to the emotion, as the figures of silence quite usual in the baroque period. The works of Bartel (1997), Cameron (2005), Gatti (1997), Lucas (2005, 2007, 2016) and Villavicencio (2011) were important points of interlocution in this perspective. The concept of imaginary was an important methodological element for establishing this comparison between silence in Baroque music and contemporary music by John Cage. From understanding the imaginary of Castoriadis (1992) and Durand (1998) we construct an understanding of the singularities as well as the interpretative connections between each of these silences: the rhetorical and intentional of baroque music and those of Cage's acasos and indetermination. In order to understand the silences of John Cage, a contextualization on Zen Buddhism was carried out in the United States at the end of the first half of the twentieth century, starting with Eco (1978), as well as a discussion of ideas of nothingness and emptiness in Zen, based on Heller (2011). Such a discussion is made in order to relate these ideas to concepts and questionings substantial to the understanding of silence in John Cage, such as ideas about nothingness, interpenetration, and the possibility of music, as an opening to the events of sounds to establish communication, and in that sense be rhetorical. Lacan's ideas about the symbolic and emptiness (1995, 2005) served as an element of understanding the limits and possibilities of Cage's silent project.

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