Artigo em periódico
Fonte: Revista Vórtex, ___(edição)___, 2023
A obra para dois pianos de Francisco Mignone e Justaposição Funcional
Maria Bernardete Castelan Póvoas, Alexandre Dietrich
Palavras-chave
Resumo
Entre o vasto trabalho musical de Francisco Mignone, há setenta e quatro peças para a formação instrumental a dois pianos. Como piano I, integram esta coleção não somente composições suas, mas peças solo de outros compositores como Ernesto Nazareth, Zequinha de Abreu, Waldemar Henrique, Lorenzo Fernandez. Na elaboração do repertório por Mignone identifica-se a Justaposição Funcional, estratégia de composição configurada pela sobreposição expressiva de peças independentes: os dois pianos executam peças originais que dialogam e combinam, e podem ser interpretadas como peças solo. Tal procedimento confere ambiguidade funcional às peças, oferecendo possibilidades de interpretação de maneira individual às partes compostas originalmente por Mignone e, quando justapostas, de serem interpretadas simultaneamente, em Duo. O objetivo com este artigo foi revelar como Mignone manipulou parte dessa obra e argumentos que ilustram a compreensão de justaposição enquanto estratégia composicional e de interpretação do repertório em foco.
Francisco Mignone's music for two pianos and functional juxtaposition
Among the vast musical work of Francisco Mignone, there are seventy-four pieces written for two pianos. As piano I, integrate this collection not only his own compositions, but pieces for solo piano by other composers as Ernesto Nazareth, Zequinha de Abreu, Waldemar Henrique, Oscar Lorenzo Fernandez. To compose this repertoire, Mignone used Funcional Juxtaposition as a working strategy, combining existing musical ideas from his colleagues with his own inventive process: the two pianos perform original pieces that dialogue and combine, can be performed as solo pieces. This compositional method sometimes confers functional ambiguity to the pieces, offering possibilities of individual interpretation to the parts originally composed by Mignone, and, when juxtaposed in duo, they are interpreted simultaneously. Through this paper we intend to reveal and argument how Mignone manipulated part of his work and illustrate the understanding of juxtaposition as a compositional strategy and interpretation of the repertoire in focus.
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