Artigo em periódico
Fonte: OPUS, ___(edição)___, 2020
A invenção do regional e a roda como ritual: uma abordagem crítica da tradição do choro
Rodrigo Heringer Costa
Palavras-chave
Resumo
A evocação dos regionais como referência exclusiva de instrumentação vinculada à tradição do choro é recorrente nas narrativas de músicos contemporâneos. Na literatura, porém, nota-se a presença de uma maior diversidade de instrumentos e formatações engajadas na performance do gênero, durante o período de sua concepção. No intuito de compreender o hiato entre ambas as perspectivas, aproximo o choro do conceito de tradição cunhado por Anthony Giddens. Atravessada pela ideia de permanência, a tradição também se sujeita a diversas disputas práticas e discursivas entre seus agentes por domínio de seus sistemas abstratos, podendo, assim, transformar-se. Partindo desta constatação, destaco a subordinação de tais mudanças, no caso do choro, a negociações ocorridas em seu espaço ritual: a roda. Argumento, por fim, que os regionais se firmaram – a partir de negociações rituais diversas – como parte de uma tradição inventada do choro, que contribui para padronizar e particularizar, no presente, a heterogeneidade de formações instrumentais dedicadas à performance do gênero na passagem do século XIX ao XX. Os dados a fundamentar tais percursos e conclusões foram extraídos da literatura, de processo de observação participante em uma roda de choro na cidade de Belo Horizonte e de entrevistas com músicos dedicados à performance do gênero.
The Invention of the Regional and the Roda as a Ritual: A Critical Approach to the Choro Tradition
In the narratives of contemporary musicians, the choro tradition is regularly treated as exclusively employing the specific instrumentation of a musical ensemble known as the regionals. We observe in the literature, however, the use of greater diversity of instruments and formations during performances of the genre in its beginnings. To understand the divergence between these two perspectives, we approach choro from the notion of tradition as conceived by Anthony Giddens. Pervaded with the idea of permanence, tradition is also subject to conflicting discourses and practices by its agents who operate within its abstract systems, thereby able to transform the tradition itself. Based on this observation, we stress that such changes, in the case of choro, are subjugated to negotiations that take place in its ritual space: the roda. We argue, finally, that regionals established themselves–by way of diverse ritual negotiations–as part of an invented choro tradition, which, at present, helps to standardize and particularize the heterogeneity of the instrumental groups dedicated to performing the genre at the turn of the nineteenth to twentieth century. The data used to support our direction and conclusions were extracted from the literature, a participant observation in a choro roda located in the city of Belo Horizonte (Brazil), and from interviews with musicians who dedicated to the performance of the choro genre.
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