Artigo em periódico

Fonte: Debates, ___(edição)___, 2023

“Parafuso”, de Ronen Altman: A predeterminação no processo criativo da Orquestra Popular de Câmara

Paula Zimbres

Resumo

A Orquestra Popular de Câmara foi um coletivo musical criado na cidade de São Paulo em 1997, por iniciativa do pianista Benjamim Taubkin e do multissoprista Teco Cardoso, com o objetivo estético de promover o “encontro do mundo contemporâneo com o tradicional” por meio da “apropriação de linguagens populares e eruditas”. Nesse contexto, a coexistência, no repertório da Orquestra, de músicas com “estruturas fechadas”, marcadas pela predeterminação composicional, ao lado de outras com “estruturas abertas”, definidas interativamente “no curso da performance”, tornou-se marca de sua estética e um dos principais elementos usados para referenciar, em seu processo criativo, cada um dos polos do contínuo que o grupo pretendia abranger. O presente artigo visa discutir o processo composicional por trás dessas “estruturas fechadas” a partir da análise da faixa “Parafuso”, composição do bandolinista Ronen Altman gravada no primeiro álbum da Orquestra. Em contraste com as faixas de “estruturas abertas”, descritas em artigo anterior, que consistem em temas conectados por longos “climas improvisados” (termo de Taubkin), essa faixa evidencia um planejamento estrutural que condiz com seu processo de criação: segundo relato do próprio Altman, ela surgiu como um exercício de composição em um ambiente educacional de viés erudito e a análise apresentada aqui busca apontar os elementos que demonstram esse caráter de predeterminação. Além disso, tendo em vista que uma das características mais marcantes da composição é sua construção rítmica não-isócrona (em compasso 11/8), o artigo inclui uma breve discussão sobre esses compassos e sobre como sua utilização na música ocidental, seja erudita ou popular, foi se naturalizando gradativamente ao longo do século XX.

“Parafuso”, by Ronen Altman: predetermination in the creative process of Orquestra Popular de Câmara

The Popular Chamber Orchestra (Orquestra Popular de Câmara)was an ensemble created in São Paulo in 1997, by initiative of pianist Benjamim Taubkin and flutist/saxophonist Teco Cardoso. The ensemble aimed at fostering a confluence of “contemporary” and “traditional” musicalities, by “appropriating popular and classical idioms”. In this context, the coexistence, in the Orquestra’s repertoire, of pieces with “closed structures”, marked by compositional predetermination, alongside others with “open structures”, established interactively “in the course of performance”, became one of the ensemble’s aesthetic trademarks, and one of the central elements used to reference each polarity in the continuum encompassed by the group’s creative process. This article discusses the compositional process behind such “closed structures” by analyzing the track “Parafuso”, a composition by mandolinist Ronen Altman recorded in the Orquestra’s first album. In contrast with the “open structure” pieces, described in a previous article, consisting of themes connected by long improvisational sections, this track displays a planned structural development that is in accordance with its creative process: Altman himself says it was created as a compositional exercise in a “classical” educational setting. The analysis presented here is intended to highlight the elements that demonstrate this predetermination. Additionally, considering that one of the piece’s most striking features is its non-isochronous rhythmic construction (11/8), the article includes a brief discussion of such meters and how they became gradually more common in Western music along the 20th century.

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