Artigo em periódico
Fonte: OPUS, ___(edição)___, 2021
“Funk não é música”: faces da diferença, diversidade e discriminação
Paulo Roberto de Oliveira Coutinho, Inês de Almeida Rocha
Palavras-chave
Resumo
O funk como expressão musical se constitui em um contrassenso binário entre o seu apogeu midiático e, ao mesmo tempo, o imaginário social discriminatório atribuído por heranças preconceituosas que se perpetuam no horizonte da vida social das pessoas. A expressão “funk não é música” é facilmente ventilada em uma roda de conversa entre amigos e, muitas vezes, naturalizada pelo senso comum. Tal expressão é o mote deste estudo, que busca propor uma reflexão sobre o valor discriminatório atribuído ao funk, entendendo tal fenômeno como elemento indispensável nas discussões sobre práticas de ensino diante da diversidade em música. Para esta reflexão, buscamos suporte teórico em estudos do campo da educação e cultura e do campo da educação musical em suas interfaces com a etnomusicologia. O estudo contou, como procedimento de coleta de dados, com a observação de aulas e o uso de entrevistas semiestruturadas com cinco estudantes e dois professores de música que participaram deste estudo. A análise crítica dos dados, apresentada ao longo de duas seções no presente texto, problematiza as formas como o funk atravessa o imaginário social cotidiano, a partir das narrativas dos participantes do estudo. Nas considerações, apontamos questões que podem se tornar pontes reflexivas para pensarmos a complexidade da diversidade musical como fenômeno inerente à sala de aula e, ao mesmo tempo, problematizarmos diversidade e diferença como conceitos fundamentais para pensarmos práticas educativo-musicais contemporâneas.
“Funk is not music”: faces of difference, diversity, and discrimination
Funk as a musical expression constitutes a binary contradiction between its media apogee and, at the same time, the discriminatory social imaginary attributed by prejudiced heritages that perpetuate in the horizon of the social lives of people. The expression funk is not music is easily ventilated in a conversation between friends and, often, naturalized by common sense. This expression is the motto of this study, which aims to reflect on the discriminatory value attributed to funk, understanding this phenomenon as an indispensable element in discussions on teaching practices in the face of diversity in music. For this reflection, we seek theoretical support in studies in the field of education and culture and in the field of music education as it interfaces with ethnomusicology. The study included, as procedures for data collection, classroom observations and semi-structured interviews with five students and two music teachers who participated in this study. The critical analysis of the data presented over two sections in this text problematizes the ways in which funk crosses into the everyday social imaginary based on the narratives of the study participants. In the considerations, we point out issues that can become reflective bridges for thinking about the complexity of musical diversity as a phenomenon inherent in the classroom, and, at the same time, problematize diversity and difference as fundamental concepts for thinking about contemporary musical and educational practices.
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