Dissertação de Mestrado

Fonte: Programa de Pós-Graduação em Música (Udesc), ___(edição)___, 2018

“Ela canta que nem negra”: construções de racialização e gênero na prática do blues em Caxias do Sul

Paola Menegat Delazzeri

Resumo

Esta dissertação consiste em uma etnografia das práticas do blues na cidade de Caxias do Sul (RS). Essas práticas, aqui tratadas como cena blues, são territorializadas e simbolicamente legitimadas por dois principais agentes: o bar Misssippi Delta Blues Bar (MDBB) e o festival Mississippi Delta Blues Festival (MDBF). Emergem desse campo de pesquisa intersecções de gênero e raça, evidenciadas por elogios como “ela canta que nem negra”. Tendo isso em vista, objetivei problematizar e sinalizar as questões de gênero e as construções racializadas de corpo e voz a partir da imersão no universo feminino do blues em Caxias do Sul. Para dar conta desse objetivo, descrevo a cena blues caxiense localizada no Largo da Estação Férrea; apresento o gênero musical blues a partir da análise das narrativas míticas sobre suas origens; discorro acerca das características sonoras desse gênero musical e sobre a atuação de algumas mulheres pioneiras do blues. Desenvolvi trabalho de campo entre agosto de 2017 e janeiro de 2018 e tive seis mulheres como minhas principais interlocutoras (cinco cantoras e uma instrumentista). Busco demonstrar como, se por um lado, emergem ligados às práticas musicais e vocais discursos que essencializam categorias sociais como gênero e raça, por outro, a voz em performance pode operar como meio de desconstrução de normatizações e binarismos ligados ao saber-fazer vocal no universo blues. Sugiro, ainda, que os significados construídos em torno de uma prática vocal devem se voltar na atuação do próprio intérprete, a fim de recuperar a agência do(a) cantor(a), em vez de uma legitimação baseada em uma noção essencializada de raça e gênero.

This master's dissertation consists of an ethnography of blues practice in Caxias do Sul City (RS). These practices, here treated as blue scene, are territorialized and symbolically legitimized by two main agents: the Mississippi Delta Blues Bar (MDBB) and the Mississippi Delta Blues Festival (MDBF). From this research field it is shown gender and race intersections evidenced by compliments like "she sings like a black woman". As a result I intended to problematize and indicate the gender issues and the body and voice racialized constructions from the blues immersion in the female universe in Caxias do Sul. To truly represent this aim, I describe the blues scene caxiense located in Largo da Estação Ferrea. I present the blues musical genre from the analysis of the mythical narratives about its origins. I talk about this musical genre and its sonic characteristics and also about the performance of some pioneering women of the blues. I developed fieldwork between August 2017 and January 2018 and I had six women as my main interlocutors (five singers and one instrumentalist). I aim to demonstrate as though, on the one hand there are speeches linked to musical and vocal practices essentializing social categories as race and gender, on the other hand the performative voice can act as a mean of normatization deconstruction and binarisms linked to the know-how in the blues universe. I also suggest that the meanings built around a vocal practice should point out the interpreter performance in order to regain the singer's agency rather than a legitimization based on a notion essentialized by race and gender.

Seguir para site externo

Seu navegador será reencaminhado para a fonte do documento, porque o Amplificar não mantem cópias das referências. Caso o texto não seja carregado, por favor me notifique que ele está fora do ar e consulte sua disponibilidade no site oficial da fonte.